Americano vence três brasileiros na decisão do QS 6000 da Espanha

By abrasp | 5 de setembro de 2016 | Feminino, Notícias

Os norte-americanos Kanoa Igarashi e Sage Erickson foram os campeões do QS 6000 Pantin Classic Galicia Pro, encerrado neste domingo (04) na Espanha. Sage ganhou a final contra a francesa Pauline Ado e Kanoa foi preciso na escolha das ondas para bater três brasileiros na decisão do título em La Coruña. O cearense Michael Rodrigues foi quem chegou mais perto de repetir a vitória do paulista Thiago Camarão no ano passado e o catarinense Tomas Hermes entrou no G-10 do WSL Qualifying Series com o terceiro lugar na bateria completada pelo pernambucano Ian Gouveia. Devido ao forte nevoeiro na manhã do domingo na Playa de Pantin, com a competição só iniciando à tarde, 5 horas depois do previsto, as baterias tiveram que ser modificadas para o sistema de quatro competidores até a final.

Kanoa Igarashi (Foto: Laurent Masurel - WSL)
Kanoa Igarashi (Foto: Laurent Masurel – WSL)

Com isso, os duelos homem a homem das oitavas de final, se transformaram em quartas de final. E nas baterias com quatro atletas, Michael Rodrigues e Ian Gouveia fizeram uma dobradinha brasileira vencedora até a grande final. A primeira foi sobre os franceses Jeremy Flores e Nomme Mignot, depois contra o americano Evan Geiselman e o argentino Santiago Muniz nas semifinais. Já Tomas Hermes despachou todos os australianos que chegaram no domingo do QS 6000 Pantin Classic Galicia Pro, com Connor O´Leary e Soli Bailey sendo as últimas vítimas na semifinal vencida por Kanoa Igarashi.

O americano de apenas 18 anos de idade, mais jovem integrante da elite dos top-34 do CT esse ano, estava numa sintonia incrível com as séries de 4-6 pés do domingo na Playa de Pantin. A primeira onda que ele surfou na primeira bateria do dia já mostrou isso, com Kanoa Igarashi detonando uma sequência de manobras modernas que arrancaram nota 9,00 dos juízes, a maior do último dia. Ele só surfou duas ondas nesta bateria, como na grande final, quando largou na frente com nota 7,83 e ganhou 8,60 na segunda para totalizar 16,43 pontos.

“Eu não ficaria feliz com outro resultado que não fosse esse. Foi um evento muito bom para mim e aproveitei cada segundo dessa semana aqui”, disse Kanoa Igarashi. “Estou com uma prancha mágica da Channel Island que funcionou bem em todas as diferentes condições do mar e parece que tudo passa a dar certo quando você está cercado por boas pessoas. Com esta vitória, diminuo um pouco a pressão para me manter no CT, pois a última coisa que penso é sair, então quero tentar me garantir logo”.

Michael Rodrigues (Foto: Laurent Masurel - WSL)
Michael Rodrigues (Foto: Laurent Masurel – WSL)

Os brasileiros também surfaram boas ondas na grande final, porém os três ficaram na casa dos 14 pontos, precisando de uma segunda nota melhor para superar a pontuação de Kanoa Igarashi. Michael Rodrigues ainda tirou a maior da bateria – 8,67 – completando um aéreo incrível numa direita, mas depois só conseguiu um 6,13 para atingir 14,80 pontos. E Tomas Hermes quase fica com o vice-campeonato, pois chegou a 14,77 com as notas 7,97 e 6,80 recebidas em suas últimas ondas. Já Ian Gouveia ficou em quarto com 14,04, somando 7,87 com 6,17 das duas melhores ondas que surfou.

“Este é o segundo melhor resultado da minha carreira no circuito mundial do QS e estou feliz com o meu surfe durante essa semana aqui em Pantin”, disse Michael Rodrigues. “Eu estou tendo um ano estranho, com altos e baixos. Em alguns eventos eu perdi logo no início, por outro lado, tive um nono lugar em Ballito (QS 10000 da África do Sul), agora um segundo lugar aqui, então não sei o que está acontecendo. Só sei que estou treinando muito forte e procurando me divertir, sem ficar muito focado em rankings e pontos”.

Tomas Hermes (Foto: Laurent Masurel - WSL)
Tomas Hermes (Foto: Laurent Masurel – WSL)

BRASIL NO G-10 – Esta foi a segunda etapa do QS 6000 vencida pelo jovem americano Kanoa Igarashi, de apenas 18 anos de idade. A outra foi em 2015 no Brasil e o título em Itacaré, na Bahia, foi decisivo para sua entrada no grupo dos top-34 que disputa o título mundial da World Surf League. No momento, ele está garantindo sua permanência na elite entre os 22 primeiros que são mantidos pelo CT, mas já assumiu o quinto lugar no WSL Qualifying Series caso precise usar a vaga na lista dos dez indicados pelo ranking de acesso da World Surf League.

Essa posição estava ocupada por Deivid Silva, que foi barrado na última rodada do sábado e nem usou os 1.050 pontos do 17.o lugar na Espanha, pois tem 1.550 pontos para trocar entre os cinco resultados computados no ranking. O paulista ainda foi ultrapassado por outro norte-americano que foi até as semifinais, Evan Geiselman, caindo para o sétimo lugar. O baiano Bino Lopes também descartou o Pantin Classic e desceu de sétimo para oitavo, com o catarinense Tomas Hermes passando a fechar o G-10 na Espanha.

Com os 4.500 pontos do vice-campeonato, Michael Rodrigues saltou da 39.a para a 13.a colocação do WSL Qualifying Series. Caso vencesse a decisão do título no domingo, seria ele o terceiro brasileiro no grupo dos dez surfistas indicados para a elite dos top-34 da World Surf League pelo ranking de acesso. Tomas Hermes pode ter perdido o vice-campeonato por apenas 0,03 de diferença, mas ganhou a vaga do norte-americano Patrick Gudauskas no G-10. O catarinense recebeu 3.550 pontos pelo terceiro lugar, subiu de 28.o para 11.o no ranking e está na lista porque Kanoa Igarashi não precisa do QS no momento.

Ian Gouveia (Foto: Laurent Masurel - WSL)
Ian Gouveia (Foto: Laurent Masurel – WSL)

Dos quatro finalistas, quem mais ganhou posições foi Ian Gouveia, que saltou de 70 para 35 na classificação geral das 38 etapas completadas no QS 6000 da Espanha. O argentino Santiago Muniz foi o outro sul-americano que chegou no domingo decisivo do Pantin Classic Galicia Pro e também lucrou com o sétimo lugar conseguido nas semifinais, que o levou do 34.o para o 21.o lugar no ranking que continua liderado pelo italiano Leonardo Fioravanti, seguido pelos australianos Ethan Ewing e Connor O´Leary.

PERNA EUROPÉIA – Depois de passar pela Inglaterra, França e Espanha, a perna europeia do WSL Qualifying Series segue agora para Portugal, onde nesta terça-feira (06) começa outra etapa do QS 6000 como a de Pantin, o Azores Pro, que vai até domingo (11) nas Ilhas Açores. Depois, tem o QS 10000 Cascais Billabong Pro, de 24 de setembro a 2 de outubro na Praia de Carcavelos, em Cascais. Este será o último evento com pontuação máxima antes dos dois primeiros desafios da Tríplice Coroa Havaiana que fecha a temporada na ilha de Oahu.

No total, 37 surfistas da América do Sul competiram na Espanha e a maioria estará em Portugal disputando o QS 6000 Azores Pro. Entre os 144 participantes do Pantin Classic Galicia Pro, 28 eram do Brasil, quatro do Peru, dois da Argentina, dois do Chile e um do Uruguai. Já para as meninas, que competiram junto com os homens na Espanha, o próximo QS 6000 será só nos dias 3 a 6 de novembro, com o Sydney International fechando a lista das seis classificadas para o CT na Austrália.

Sage Erickson (Foto: Laurent Masurel - WSL)
Sage Erickson (Foto: Laurent Masurel – WSL)

TÍTULO FEMININO – A expectativa é para que a brasileira Silvana Lima consiga recuperar sua vaga perdida no ano passado. Ela foi até as quartas de final do QS 6000 Pantin Classic Galicia Pro e permanece no grupo das seis indicadas pelo ranking de acesso da World Surf League. A norte-americana Sage Erickson barrou a cearense no sábado e ainda lhe tirou a quinta posição no ranking com a vitória conquistada sobre a francesa Pauline Ado no domingo. Mas, foi no sufoco, na onda surfada nos últimos segundos da bateria.

A francesa liderou toda a disputa, porém tudo foi decidido na última série de ondas que entrou no minuto final, as melhores de todo o confronto. Pauline Ado pegou uma direita limpa para fazer quatro manobras fortes de borda e Sage Erickson foi mais explosiva, principalmente na finalização da sua onda, deixando o suspense pela divulgação das notas. Os juízes deram 8,33 para a francesa ampliar a vantagem, mas a da norte-americana valeu 8,93 para virar o resultado para 14,80 a 14,56 pontos e repetir a sua vitória conquistada na Espanha em 2012.

“Foi uma final incrível, com um monte de grandes ondas chegando e eu só tive que ter fé de que a onda certa viria para mim”, contou Sage Erickson. “Mas, confesso que não consigo acreditar até agora que veio essa última onda e caí de joelhos na praia agradecendo a Deus por ter mandado ela para mim. Só tenho que agradecer a todos pelo apoio aqui em Pantin e a todos os meus amigos e familiares em casa, que assistiram a transmissão pela internet”.

Pauline Ado (Foto: Laurent Masurel - WSL)
Pauline Ado (Foto: Laurent Masurel – WSL)

A californiana faz parte da elite das top-17 da Liga Mundial de Surf esse ano, porém não está conseguindo ficar entre as dez primeiras do ranking que são mantidas para o ano que vem e já busca garantir sua permanência entre as seis indicadas pelo WSL Qualifying Series. Com os 6.000 pontos da vitória no Pantin Classic, Sage Erickson subiu da 12.a para a quarta posição, tirando a equatoriana Dominic Barona do G-6. A vice-campeã Pauline Ado também entraria na lista se vencesse o campeonato, mas ficou em nono no ranking que está classificando até a oitava no momento, a havaiana Alessa Quizon.

“Perder uma final no último minuto e por menos de um ponto, realmente dói”, lamentou Pauline Ado. “A Sage (Erickson) surfou muito bem e foi uma das melhores competidoras de todo o evento, então eu sabia que não ia ser uma bateria fácil. Tudo se resume a pequenos detalhes e no momento estou me sentindo muito decepcionada. Mas, tenho boas lembranças de Pantin, muitas vezes consegui bons resultados aqui para que se tornasse um lugar especial para mim e continuo motivada para seguir lutando por uma vaga no CT até o fim”.