Caio Ibelli é vice-campeão do Rip Curl Pro Bells Beach

By abrasp | 19 de abril de 2017 | Destaque, Notícias

O paulista Caio Ibelli barrou o campeão mundial John John Florence com uma virada espetacular no último minuto da semifinal, mas não conseguiu superar o vice-campeão, Jordy Smith, na decisão do título do Rip Curl Pro Bells Beach. Os dois deram um show nas ótimas direitas de 6-8 pés da quarta-feira e o sul-africano ganhou a final por 18,90 a 17,46 pontos, para badalar o sino do troféu da vitória que não conseguiu no ano passado contra o australiano Matt Wilkinson. Mas, o brasileiro também festejou bastante no seu primeiro pódio em etapas do World Surf League Championship Tour.

Caio Ibelli (Foto: Kelly Cestari – WSL)

“Esse é um evento que a gente tem no caderninho de querer ir pra final dele. As ondas estavam alucinantes o dia inteiro, tinha tamanho, tinha força, então foi um campeonato alucinante e não tenho nem palavras”, disse Caio Ibelli. “Quando eu era um pivetinho, o Jordy (Smith) já tava fazendo sessões de vídeo, então todas essas coisas somam e criam esse momento único que estou vivendo hoje (quarta-feira). Tenho uma equipe que trabalha comigo que me dá todo o suporte, me deixando confortável para competir em todas as condições e vamos pra próxima agora, ir lá pro Rio (de Janeiro) ver a brasileirada torcendo por nós lá”.

Outros três brasileiros competiram no último dia em Bells Beach. Adriano de Souza e Filipe Toledo perderam nas quartas de final e Wiggolly Dantas no duelo com Mineirinho na quinta fase. A próxima apresentação dos melhores surfistas do mundo é no Brasil, de 9 a 20 de maio em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Caio Ibelli tem 23 anos de idade e no ano passado recebeu o prêmio de melhor estreante da temporada. Ele foi apenas o terceiro brasileiro da história a decidir o título na etapa mais antiga do Circuito Mundial e subiu do 19.o para o sétimo lugar no ranking com o vice-campeonato no Rip Curl Pro.

“No começo da bateria, eu peguei a primeira onda que não era boa, então ele ficou com a prioridade e conseguiu fazer boas notas no início”, contou Caio Ibelli. “No finalzinho, fiz minha melhor onda e quando falaram que a última do (lycra) vermelho tinha sido 9,63 eu vibrei, mas dez segundos depois ouvi, nota do azul, 9,77, aí eu ia precisar de outro nove, nossa, foi alucinante. Dias atrás eu estava na casa do Jordy (Smith), batendo um rango com os caras, conversando, então estar numa final com ele foi demais. Ele já vem aqui uns 15 anos e essa é só minha segunda vez, então estou amarradão”.

Jordy Smith (Foto: Kelly Cestari – WSL)

A bateria final foi eletrizante. Jordy Smith começou imprimindo um ritmo muito forte, escolhendo boas ondas para largar na frente com notas 7,00, 9,10 e 8,53 seguidas. Caio Ibelli demorou para reagir, mas entrou na briga quando tirou 7,83 em sua primeira onda boa. Em outra melhor ainda, mostrou seu potencial com grandes arcos, alongando as rasgadas e atacando o crítico da onda com manobras mais explosivas para tirar 9,63 e passar a frente. Só que o sul-africano logo deu o troco com um surfe altamente veloz e progressivo para ganhar 9,77. Depois, ainda tira um 9,13 para selar a vitória por 18,90 a 17,46 pontos.

“Não consigo nem acreditar. Fiquei em segundo no ano passado e agora ser campeão é incrível”, disse Jordy Smith. “Quando eu tirei um 9, a pressão diminuiu um pouco, mas em seguida o Caio (Ibelli) continuou atacando e vi que tinha mais trabalho pela frente. Ele é um surfista incrível e surfou muito bem esse evento todo. Eu venho tentando ganhar este campeonato há 10 anos e conseguir agora é um sentimento incrível, um grande sonho se tornando realidade para mim. Depois de alguns anos sofrendo com lesões, sinto que as peças do quebra-cabeça estão se encaixando este ano. Minha esposa e minha família estão comigo e não poderia conseguir nada disso sem o apoio deles”.

VIRADA NO CAMPEÃO – Caio Ibelli festejou dentro do mar o vice-campeonato em sua primeira final no CT e numa etapa que aconteceu com altas ondas em todos os dias. Seu grande momento foi na semifinal com John John Florence. Ele começou forte com nota 8,90, liderando a bateria até o havaiano destruir uma onda com uma série de manobras que arrancou nota 10 de três dos cinco juízes e a média ficou em 9,93. Na seguinte tirou 7,50 e assumiu a ponta da bateria. Aí veio uma longa calmaria e outra série boa de ondas só entrou no último minuto. Florence tinha a prioridade de escolha e foi na primeira, mas a de trás era maior e Caio Ibelli aproveitou a chance para arriscar mais as manobras, atacando a onda até explodir a junção na finalização. A nota saiu 8,73 e virou o placar para 17,63 a 17,43 pontos.

Caio Ibelli (Foto: Kelly Cestari – WSL)

No ano passado, Caio também derrotou o havaiano nas mesmas ondas de Bells Beach no minuto final da bateria, mas na terceira fase da competição. E foi a primeira bateria da quarta-feira que o atual campeão mundial e número 1 do Jeep WSL Leader não usou os aéreos, como tinha feito para vencer com um alley-oop incrível na quarta fase e nas quartas de final. Nas duas baterias, ele precisou usar essa arma para superar o power surf do australiano Mick Fanning. Já o grande oponente de Caio Ibelli no último dia foi o português Frederico Morais.

Eles disputaram a primeira bateria do dia e Frederico liderava até o último minuto, quando Caio conseguiu sua primeira virada na quarta-feira com nota 8,43 para tirar a vitória do português. Frederico depois atropelou o havaiano Sebastian Zietz somando mais de 18 pontos e os dois voltaram a se encontrar nas quartas de final. Desta vez, Caio dominou a bateria com notas 8,90 e 7,10 e o português não conseguiu reverter o placar encerrado em 16,00 a 14,50.

INTERFERÊNCIA RETIRADA – Todas as baterias realizadas no último dia tiveram boas ondas e foram disputadas em alto nível. Dois brasileiros começaram a quarta-feira competindo juntos pela terceira vaga direta para as quartas de final. O campeão mundial Adriano de Souza larga na frente numa onda bem surfada com grandes manobras que vale nota 8,43. Depois, Filipe Toledo manda um aéreo muito alto e sai atacando a onda até o fim para ganhar 9,00 dos juízes e faz um 6,67 em outra para liderar. Só que Ezekiel Lau assume a ponta com notas 7,90 e 8,83 em duas ondas seguidas com um frontside agressivo nas direitas de Bells Beach.

O havaiano segurou a prioridade de escolha até o fim, mas Filipe pega numa onda nos últimos segundos e ele bloqueia entrando na frente. O brasileiro reclamou que, pela regra, ele não poderia fazer isso porque quando dropou já tinha soado o sinal de término da bateria, então foi assinalada interferência de Ezekiel Lau e a penalidade tirou uma das suas notas, caindo para último. Filipe Toledo foi anunciado o vencedor. Mas, a comissão técnica reuniu-se novamente para analisar toda a situação e voltou atrás no resultado, atestando que o havaiano tinha entrado na onda ainda antes do sinal. Com isso, a interferência foi retirada e Ezekiel Lau ganhou a bateria por 16,73 pontos, contra 15,67 de Filipe e 14,20 de Adriano.

Adriano de Souza (Foto: Jack Barripp – WSL)

REPESCAGEM – Os dois teriam que disputar uma rodada extra no mar pesado de Bells Beach na quarta-feira. Na última disputa por vaga direta para as quartas de final, o último “backsider” surfando de costas para as direitas, Wiggolly Dantas, tirou a maior nota da bateria, 8,50, mas não foi suficiente para superar Jordy Smith. O sul-africano totalizou 15,30 pontos nas duas primeiras ondas e o brasileiro atingiu 14,70 para deixar Joel Parkinson em terceiro lugar com 14,50. Com isso, um duelo brasileiro entre ele e Adriano de Souza foi formado para fechar a quinta fase.

Essa última rodada classificatória para as quartas de final rolou na melhor hora do mar. O português Frederico Morais ganhou a primeira bateria por 18,10 pontos com notas 8,93 e 9,17. Na segunda, Mick Fanning venceu o duelo australiano com Owen Wright por incríveis 18,63 a 17,60. Na terceira, Filipe Toledo deu o seu espetáculo contra Joel Parkinson e uma nota 9,33 decidiu a vitória por 16,76 a 15,00 pontos. E o duelo brasileiro entre Adriano de Souza e Wiggolly Dantas foi sensacional. Ambos só computaram notas no critério excelente dos juízes, com Mineirinho garantindo a vitória somando o 9,5 da sua última onda no placar de 18,17 a 17,60 pontos. Guigui ficou em nono lugar no Rip Curl Pro e subiu para 23.o no ranking.

“Deu altas ondas e foi uma bela disputa com o Wiggolly (Dantas), um cara que surfa muito, então tive que fazer meu extremo pra avançar e graças a Deus consegui”, disse Adriano de Souza, após essa sua última vitória do dia. “Agora chegamos nos oito melhores do evento, tá todo mundo bem, todo mundo concentrado pra fazer seu melhor, então quem pegar as melhores ondas vai vencer”.

QUARTAS DE FINAL – As quartas de final começaram em seguida, com Caio Ibelli vencendo o duelo luso-brasileiro com Frederico Morais. John John Florence ganhou a segunda bateria também batendo Mick Fanning pela segunda vez na quarta-feira. E Ezekiel Lau voltou a vencer Filipe Toledo. O estreante do Havaí na elite do CT esse ano foi muito confiante em esperar uma boa onda até os minutos finais e achou a maior da bateria para detonar uma série de manobras potentes que ganhou 9,77 dos juízes. Com ela, atingiu 18,60 pontos contra 16,66 do recordista absoluto e dono da única nota 10 do Rip Curl Pro Bells Beach esse ano.

Filipe Toledo (Foto: Jack Barripp – WSL)

“Ele (Ezekiel Lau) foi feliz de pegar essa onda no finalzinho e não ter vindo nenhuma outra boa para mim. Mas, estou feliz por ele que quebrou aqui nesse campeonato”, elogiou Filipe Toledo. “Infelizmente, não foi a meu favor essa bateria, mas estou amarradão pelo resultado. Não satisfeito, mas feliz. Agora vamos para o Brasil e vai ser bem legal estar junto com minha família, meus amigos, a gente não se vê há tempos, então vai ser muito manero e espero fazer um ótimo resultado lá também”.

Na bateria seguinte, Adriano de Souza também perdeu para Jordy Smith sem encontrar boas ondas para surfar. Cometeu alguns erros e foi facilmente batido por 16,77 a 10,53 pontos pelo sul-africano. Mineirinho se manteve em quarto lugar no ranking com a quinta posição na etapa que fechou a “perna australiana” do World Surf League Championship Tour. Ele é um dos cinco surfistas com chances matemáticas de brigar pela lycra amarela do Jeep WSL Leader em Saquarema. Filipe Toledo subiu do oitavo para o sexto lugar e está na porta de entrada desse seleto grupo dos top-5 do ranking mundial após as três primeiras etapas da temporada, seguido agora por Caio Ibelli.