Quatro brasileiros estreiam com vitórias no Quiksilver Pro Gold Coast

By abrasp | 11 de março de 2016 | Notícias

O campeão mundial Adriano de Souza perdeu por quatro centésimos a sua primeira bateria do ano, mas quatro brasileiros estrearam com vitórias na temporada 2016 do World Surf League Samsung Galaxy Championship Tour na Austrália. O potiguar Italo Ferreira venceu a primeira bateria do Quiksilver Pro Gold Coast nas boas ondas de 3-4 pés da sexta-feira em Snapper Rocks. Os campeões desta etapa de abertura nos dois últimos anos, Gabriel Medina e Filipe Toledo, que defende o título, também passaram direto para a terceira fase. E outro paulista, Wiggolly Dantas, fechou a participação brasileira estabelecendo um novo recorde de 17,26 pontos no penúltimo confronto do dia. Apesar da derrota, Mineirinho e outros quatro brasileiros têm uma segunda chance de classificação na repescagem.

Filipe Toledo (Foto: Kelly Cestari – WSL)
Filipe Toledo (Foto: Kelly Cestari – WSL)

Com as condições do mar em Snapper Rocks parecendo com as direitas do Pontal de Baía Formosa, onde Italo Ferreira nasceu, o melhor estreante do ano passado marcou com vitória a estreia do Brasil na temporada 2016. Ele liderou a primeira bateria do Quiksilver Pro Gold Coast desde a primeira onda que surfou. Uma das novidades da Austrália na elite dos top-34 deste ano, Ryan Callinan, ficou em segundo lugar e o havaiano Keanu Asing em último.

“O ano passado foi o melhor ano da minha vida”¸ disse o “Rookie of the Year” de 2015, Italo Ferreira. “Eu surfei com meus ídolos pela primeira vez e consegui fazer um bom primeiro ano no CT. Estou muito animado por estar de volta nesta temporada e espero poder fazer ainda melhor do que em 2015. Estou muito feliz por ter vencido a primeira bateria do ano e ter começado a temporada com o pé direito”.

CAMPEÕES NA GOLD COAST – Na terceira bateria, estreou o defensor do título do Quiksilver Pro Gold Coast, porém Filipe Toledo não mostrou tudo o que sabe, talvez guardando munição para o decorrer do campeonato. Mas, ele já usou os aéreos de frontside e apresentou a variedade de manobras modernas do seu repertório para conquistar a segunda vaga direta do Brasil para a terceira fase. Filipe Toledo somou as notas 6,53 e 7,83 que recebeu em duas ondas seguidas para vencer por 14,36 pontos. O potiguar Jadson André também surfou bem, ficando em segundo com 13,30 e o australiano Stu Kennedy em terceiro com 10.67.

“Estar aqui defendendo meu título de campeão deste evento com pranchas muito boas e o vento ajudando pros aéreos logo na primeira bateria, me faz ficar mais confiante para a próxima fase”, disse Filipe Toledo, único surfista a vencer três etapas na última temporada. “No ano passado, eu vivi uma sensação muito boa em estar lutando pelo título mundial e sei que tenho potencial para chegar lá também. Mas, preciso e quero melhorar minhas performances em ondas que não fui tão bem, como Fiji, Taiti e Pipeline (Havaí)”.

Gabriel Medina, campeão na Gold Coast em 2014, também largou na frente na disputa seguinte, massacrando uma onda com uma série de seis manobras executadas com pressão e velocidade que tirou nota 7,67 dos juízes. Ele foi aumentando a vantagem a cada onda, mas o havaiano Sebastian Zietz surfou uma excelente, encerrada com um layback incrível jogando muita água para receber a maior nota do dia até ali – 8,67. Medina não desistiu e no último minuto pega uma boa onda para mandar uma série de três manobras muito fortes de backside. Ele buscava 7,14 pontos para a vitória e recebeu nota 8,50 para totalizar 16,17 pontos contra 14,80 do havaiano. O estreante Caio Ibelli não conseguiu acompanhar o forte ritmo dos adversários e ficou em último.

“Foi uma bateria complicada pra mim. Eu não sabia onde me posicionar direito, fiquei meio perdido e estou feliz por ter vencido”, disse Gabriel Medina, que iniciou a caminhada do primeiro título mundial do Brasil em 2014 com vitória no Quiksilver Pro Gold Coast. “Eu só fiquei esperando que viesse uma onda boa para mim e felizmente ela veio no final para eu poder fazer as manobras e conseguir os pontos que eu precisava pra vencer”.

Gabriel Medina (Foto: Kelly Cestari – WSL)
Gabriel Medina (Foto: Kelly Cestari – WSL)

Com as ondas melhorando na secante da maré em Snapper Rocks, os recordes do Quiksilver Pro Gold Coast começaram a subir. O vencedor da triagem, Wade Carmichael, logo aumentou o de nota para 8,93 e Mick Fanning surfou três ondas muito boas para atingir 17,24 pontos com notas 8,87 e 8,37. O tricampeão já anunciou que não vai disputar o título mundial esse ano, mas que participará de algumas etapas. Ele confessou estar competindo bem mais relaxado sem a pressão por resultados. Fanning foi vice-campeão nos dois anos dos primeiros títulos mundiais do Brasil, perdendo para Gabriel Medina em 2014 e para Adriano de Souza em 2015.

CAMPEÃO MUNDIAL – Mineirinho entrou com a lycra amarela de número 1 do Jeep Leaderboard na bateria seguinte, que acabou sendo a mais disputada do dia. O norte-americano Kolohe Andino começou bem, destruindo uma onda com várias manobras para ganhar a maior nota do dia até ali, 9,10. O campeão mundial correu atrás e assumiu a ponta com a nota 6,77 da segunda onda que completou. Mas, o californiano retomou a liderança com o 4,57 que recebeu em seguida. Kolohe ficou na frente até Adriano achar uma boa direita, que abriu a parede para ele fazer duas manobras fortes no outside e seguir atacando a onda até o fim. Ele precisava de 6,91 pontos e a nota saiu 6,93 para virar o placar para 13,70 a 13,67 pontos há três minutos do fim.

Adriano ainda mostrou a experiência de campeão mundial para usar a prioridade de escolha numa onda que Kolohe Andino tentou pegar no minuto final. Só que o australiano Michael Wright ainda surfa mais uma onda com grandes manobras precisando de 6,84 pontos para vencer. E ele recebeu o mesmo 6,87 da sua onda anterior para pular do terceiro para o primeiro lugar. Com essas duas notas, o convidado da Quiksilver totalizou 13,74 pontos, contra 13,70 de Adriano de Souza e 9,10 do Kolohe Andino, que perdeu a segunda nota pela penalidade de interferência naquela disputa de onda com Mineirinho.

BRASIL EM DESTAQUE – Depois, o estreante na elite dos top-34 da World Surf League esse ano, Alex Ribeiro, também perdeu por pouco para o norte-americano Nat Young no placar encerrado em 12,87 a 12,14 pontos, com o australiano Kai Otton em último com 11,50. No entanto, para colocar o Brasil em destaque no primeiro dia do Samsung Galaxy Championship Tour, Wiggolly Dantas fez uma apresentação brilhante com a potência das suas manobras de backside em Snapper Rocks. Com notas 8,83 e 8,33, ele aumentou o recorde de Mick Fanning de 17,24 para 17,26 pontos na terceira bateria com participação dupla do Brasil na sexta-feira. Miguel Pupo não achou boas ondas e ficou em último, superado também pelo sul-africano Jordy Smith.

Wiggolly Dantas (Foto: Kirstin Scholtz – WSL)
Wiggolly Dantas (Foto: Kirstin Scholtz – WSL)

“Eu aprendi muito no ano passado”, disse Wiggolly Dantas, que começou muito bem a sua segunda temporada na elite da WSL. “Eu já estou aqui na Gold Coast há dez dias treinando para o campeonato e testando várias pranchas para achar a prancha mágica. Estou feliz por ter conseguido pegar boas ondas para vencer essa minha primeira bateria do ano e é sempre bom você começar bem, passando direto para a terceira fase”.

SEGUNDA CHANCE – A rodada de apresentação dos melhores surfistas do mundo nas etapas do World Surf League Samsung Galaxy Championship Tour não é eliminatória. Os vencedores das baterias avançam direto para a terceira fase, mas os perdedores têm uma segunda chance de classificação. O campeão mundial Adriano de Souza vai abrir a segunda fase enfrentando o australiano Wade Carmichael, que venceu a triagem e deu trabalho para Mick Fanning na sexta-feira. Se Mineirinho ganhar dele, voltará a enfrentar Michael Wright na terceira fase.

O estreante Alex Ribeiro, que não está 100% fisicamente por estar voltando de contusão, foi escalado na oitava bateria com o australiano Adrian Buchan. Depois tem um duelo brasileiro entre o potiguar Jadson André e o paulista Miguel Pupo no décimo confronto da segunda fase e só um continuará vivo na competição. E a 11.a bateria será entre dois novatos na divisão de elite, o número 1 do WSL Qualifying Series 2015, Caio Ibelli, e o australiano Jack Freestone, que brigaram pelo primeiro lugar no ranking de acesso até a última etapa no Havaí.

O Quiksilver Pro Gold Coast está sendo realizado junto com a etapa de abertura do Samsung Galaxy WSL Women´s Championship Tour, o Roxy Pro Pro Gold Coast, com a primeira chamada do sábado para a segunda fase masculina e para a rodada inicial feminina, marcada para as 7h30 na Austrália, 18h30 da sexta-feira pelo fuso horário de Brasília, com transmissão ao vivo de Snapper Rocks pelo www.worldsurfleague.com

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João Carvalho – WSL South America Media Manager – jcarvalho@worldsurfleague.com

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PRIMEIRA FASE DO QUIKSILVER PRO GOLD COAST:

1.a: 1-Italo Ferreira (BRA)=12.00, 2-Ryan Callinan (AUS)=11.10, 3-Keanu Asing (HAV)=8.80

2.a: 1-Michel Bourez (TAH)=11.50, 2-Adam Melling (AUS)=10.37, 3-Julian Wilson (AUS)=6.06

3.a: 1-Filipe Toledo (BRA)=14.36, 2-Jadson André (BRA)=13.30, 3-Stu Kennedy (AUS)=10.67

4.a: 1-Gabriel Medina (BRA)=16.17, 2-Sebastian Zietz (HAV)=14.80, 3-Caio Ibelli (BRA)=8.10

5.a: 1-Mick Fanning (AUS)=17.24, 2-Wade Carmichael (AUS)=16.00, 3-Matt Banting (AUS)=9.90

6.a: 1-Michael Wright (AUS)=13.74, 2-Adriano de Souza (BRA)=13.70, 3-Kolohe Andino (EUA)=9.10

7.a: 1-Jeremy Flores (FRA)=15.90, 2-Davey Cathels (AUS)=15.00, 3-Adrian Buchan (AUS)=10.74

8.a: 1-Matt Wilkinson (AUS)=17.00, 2-Kelly Slater (EUA)=13.27, 3-Conner Coffin (EUA)=12.17

9.a: 1-Nat Young (EUA)=12.87, 2-Alex Ribeiro (BRA)=12.14, 3-Kai Otton (AUS)=11.50

10: 1-Taj Burrow (AUS)=15.40, 2-Josh Kerr (AUS)=12.26, 3-Kanoa Igarashi (EUA)=11.40

11: 1-Wiggolly Dantas (BRA)=17.26, 2-Jordy Smith (AFR)=13.43, 3-Miguel Pupo (BRA)=12.47

12: 1-Joel Parkinson (AUS)=14.10, 2-John John Florence (HAV)=13.56, 3-Jack Freestone (AUS)=13.44

SEGUNDA FASE – Vitória=Terceira Fase e Derrota=25.o lugar com 500 pontos e US$ 9.000 de prêmio:

1.a: Adriano de Souza (BRA) x Wade Carmichael (AUS)

2.a: Julian Wilson (AUS) x Sebastian Zietz (HAV)

3.a: Kelly Slater (EUA) x Stu Kennedy (AUS)

4.a: Josh Kerr (AUS) x Adam Melling (AUS)

5.a: Jordy Smith (AFR) x Ryan Callinan (AUS)

6.a: John John Florence (HAV) x Davey Cathels (AUS)

7.a: Kai Otton (AUS) x Conner Coffin (EUA)

8.a: Adrian Buchan (AUS) x Alex Ribeiro (BRA)

9.a: Keanu Asing (HAV) x Kanoa Igarashi (EUA)

10: Jadson André (BRA) x Miguel Pupo (BRA)

11: Caio Ibelli (BRA) x Jack Freestone (AUS)

12: Matt Banting (AUS) x Kolohe Andino (EUA)

PRIMEIRA FASE DO ROXY PRO GOLD COAST:

1.a: Tyler Wright (AUS), Johanne Defay (FRA), Alessa Quizon (HAV)

2.a: Bianca Buitendag (AFR), Nikki Van Dijk (AUS), Coco Ho (HAV)

3.a: Carissa Moore (HAV), Chelsea Tuach (BRB), Isabella Nichols (AUS)

4.a: Courtney Conlogue (EUA), Sage Erickson (EUA), Bronte Macaulay (AUS)

5.a: Sally Fitzgibbons (AUS), Malia Manuel (HAV), Laura Enever (AUS)

6.a: Stephanie Gilmore (AUS), Tatiana Weston-Webb (HAV), Keely Andrew (AUS)