Sofia Mulanovich garante título sul-americano para Nathalie Martins e vence o QS 1500 do Chile

By abrasp | 30 de outubro de 2016 | Feminino

A peruana Sofia Mulanovich fez história mais uma vez. A única surfista da América do Sul a ser campeã mundial da World Surf League em 2004, agora se torna a primeira sul-americana a vencer o Maui and Sons Pichilemu Woman´s Pro nas três edições do QS 1500 do Chile. Antes da vitória na final contra a jovem surfista da Costa Rica, Leilane McGonagle, de apenas 16 anos de idade, Mulanovich garantiu o título sul-americano da WSL South America para a brasileira Nathalie Martins, 26, quando derrotou a outra única concorrente nas semifinais, a chilena Lorena Fica, 21. A peruana foi a campeã do ano passado e agora termina como vice-campeã, empatada com a cearense Silvana Lima, 32, vencedora da outra etapa no Brasil.

Sofia Mulanovich (Foto: Luis Barra)
Sofia Mulanovich (Foto: Luis Barra)

“Bem, eu quero agradecer muito a todas as pessoas que vieram aqui para apoiar o surfe feminino latino e obrigado aos surfistas locais que deixaram o mar para a gente competir todos esses dias”, foram as primeiras palavras de Sofia Mulanovich, no pódio da vitória inédita de uma sul-americana no Maui and Sons Pichilemu Pro. “As ondas aqui em Punta de Lobos são incríveis, é o meu campeonato preferido no mundo e obrigado a Trini (Trinidad Segura), organizadora do evento, e aos patrocinadores. Estou superfeliz e muito obrigada a todos”.

Na cerimônia de premiação no pódio, a primeira a ser coroada foi a paranaense Nathalie Martins, que recebeu o enorme troféu de campeã sul-americana das mãos do diretor regional da WSL South America, Roberto Perdigão. A brasileira foi barrada na primeira rodada do domingo em Punta de Lobos e ficou na torcida para que Lorena Fica não vencesse o campeonato, único resultado para a chilena lhe tirar o título no domingo em Pichilemu. A importância do título é a garantia de participação nas principais etapas do WSL Qualifying Series na próxima temporada.

“Primeiro, eu quero felicitar e agradecer todas as pessoas que fizeram esse evento e também as minhas amigas pela torcida e pela vibração”, disse a nova campeã sul-americana de 2016 da WSL South America. “Quero também felicitar todas as competidoras que fizeram um grande trabalho, estou muito contente e obrigado a todos por me receberem tão bem aqui no Chile. Mas, este troféu é muito grande pessoal e nem sei como vou levar ele para casa (risos)”.

Antes, Nathalie Martins já havia comentado sobre o título sul-americano na cabine da transmissão ao vivo do evento pela internet, inclusive atuando como comentarista na grande final entre Sofia Mulanovich e Leilani McGonagle: “Felizmente, a Sofia (Mulanovich) ganhou da Lorena (Fica) na semifinal e já estou aqui como campeã. Estou muito contente e só tenho que agradecer a todos que me apoiaram e torceram por mim para chegar até aqui. Foi um campeonato bem difícil, muito nervosismo durante esses dias e estou muito feliz que terminou tudo bem, conseguindo meu objetivo de vir para cá, que era ser campeã sul-americana”.

A bicampeã chilena, Lorena Fica, disputou a primeira bateria do domingo em Punta de Lobos e conseguiu derrotar a competidora sul-americana mais bem colocada no ranking do WSL Qualifying Series, a equatoriana Dominic Barona, na disputa vencida pela peruana Anali Gomez. Mas, o caminho ainda era longo para ela tirar o título da brasileira, pois o único resultado para conseguir isso era vencer o Maui and Sons Pichilemu Woman´s Pro.

A outra concorrente de Nathalie Martins era a argentina Lucia Indurain, que perdeu no confronto seguinte para a campeã Sofia Mulanovich e a americana Bethany Zelasko. Nathalie Martins entrou na terceira bateria e também terminou em terceiro lugar, sendo barrada pela argentina Josefina Ane e por outra americana, Nicole Fulford. Nas quartas de final, Lorena Fica surfou bem de novo para despachar Bethany Zelasko e seguir com chance de ser campeã sul-americana.

DECISÃO DO TÍTULO – Só que ela iria enfrentar a defensora do título, Sofia Mulanovich, que ganhou o duelo peruano com a vice-campeã sul-americana do ano passado, Anali Gomez. Sofia começou bem com nota 7,17 e liderou todo o confronto, surfando ainda duas ondas na casa dos 6 pontos para vencer por 13,90 a 9,23 pontos. Com o resultado, Nathalie Martins foi consagrada como campeã sul-americana de 2016 e Lorena Fica ficou em quarto lugar no ranking das duas etapas da WSL South America realizadas esse ano. A outra foi o Praia do Forte Pro na Bahia, onde Nathalie foi finalista na bateria vencida pela cearense Silvana Lima.

Na segunda semifinal, estava a outra sul-americana que já tinha decidido o título do Maui and Sons Pichilemu Woman´s Pro, a argentina Josefina Ane. Nos dois primeiros anos do QS 1500 do Chile, só tinha dado Havaí no alto do pódio, com Dax McGill vencendo a edição de 2014 e Alessa Quizon ganhando a do ano passado. No entanto, a argentina não conseguiu passar pela costa-ricense Leilani McGonagle, que tinha feito o maior placar do campeonato em sua primeira atuação no domingo em Punta de Lobos, 17,30 pontos com notas 9,00 e 8,30.

GRANDE FINAL – A grande final foi, então, mais um confronto de gerações em Pichilemu, entre a peruana Sofia Mulanovich com seus 33 anos de idade e toda a experiência de várias temporadas fazendo parte do grupo das melhores surfistas do mundo, com a jovem surfista da Costa Rica, Leilani McGonagle, de apenas 16 anos de idade. A decisão começou por volta das 17h00 com a praia lotada em Punta de Lobos e Leilani surfou a primeira onda da bateria para largar na frente com nota 4,0.

Mulanovich falha na escolha da sua primeira onda e Leilani surfa outra que valeu 3,67. Mas, logo a peruana acha as esquerdas abrindo mais parede para mostrar a força do seu backside e tirar notas 6,17 e 4,83 em duas ondas seguidas para assumir a ponta e não largar mais. A costa-ricense fica mais ativa dentro d´água, indo em mais ondas para se manter na briga e consegue um 5,13, diminuindo a vantagem para 5,88. Depois, Leilani pega uma esquerda bem mais longa e sai manobrando de frontside, atravessando as sessões para tirar 5,93 dos juízes.

Só que logo Sofia reponde com duas batidas potentes de backside numa onda mais curta que renderam nota 6,87, com McGonagle passando a precisar de 7,11 pontos nos 5 minutos finais. Ela até chegou perto surfando sua melhor onda, que valeu 6,90. Mas, a peruana ainda pega outra esquerda em pé para repetir o ataque de duas manobras fortes com mais verticalidade e ganhar nota 8,67, sacramentando a vitória por 15,54 a 12,83 pontos. O título valeu um prêmio de 6.000 dólares para Sofia Mulanovich, que ainda subiu para o quadragésimo lugar no ranking do WSL Qualifying Series com os 1.500 pontos recebidos no Chile.

Leilani McGonagle também ficou feliz pelo vice-campeonato, seu melhor resultado da carreira no WSL Qualifying Series, que a levou para a 58.a posição no ranking: “Primeiramente, gostaria de agradecer a todos por virem aqui nos apoiar. Foram dias muito bons surfando com todas as meninas e obrigado aos organizadores desse evento incrível. Quero felicitar a Sofia (Mulanovich) que surfou muito bem e também agradecer ao meu pai, que está lá na Costa Rica assistindo o campeonato. Te amo papai e obrigado por todo o apoio, estou muito feliz”.