Três brasileiros disputam o título do QS 6000 de Sydney

By abrasp | 4 de março de 2017 | Notícias

Os paulistas Jessé Mendes e Alex Ribeiro e o baiano Marco Fernandez, passaram pelas duas fases realizadas no sábado de condições desafiadoras em Sydney, com muita chuva e mar mexido com ondas de 5-6 pés em Manly Beach. Eles garantiram maioria brasileira nas quartas de final que abrem o domingo decisivo do QS 6000 Australian Open of Surfing. Dois confrontos Brasil x Austrália vão definir os primeiros semifinalistas. Marco Fernandez enfrenta Julian Wilson na primeira bateria e Alex Ribeiro entra na segunda com Mitch Crews. E Jessé Mendes, que tirou o primeiro lugar no ranking do WSL Qualifying Series do catarinense Yago Dora, vai fechar as quartas de final com um concorrente direto pela liderança, o francês Jorgann Couzinet, da Ilha Reunião.

Marco Fernandez (Foto: Tom Bennett - WSL)
Marco Fernandez (Foto: Tom Bennett – WSL)

A primeira classificação para o último dia do Australian Open foi conquistada por Marco Fernandez. Ele barrou o paulista Marcos Correa no primeiro confronto do dia, vencido por Julian Wilson. Depois das oitavas de final femininas, o baiano enfrentou o costa-ricense Noe Mar McGonagle, que começou mais ativo na bateria e largou na frente com nota 6,33. O mar estava bem balançado, sem chuva, mas com ventos fortes e grandes intervalos entre as séries. O brasileiro só pegou a sua primeira onda quando restavam 12 minutos, mandando um batidão de backside numa esquerda que rendeu nota 5,50.

Logo Marco Fernandez acha outra esquerda e faz duas manobras fortes com velocidade para ganhar 7,83 e liderar a bateria. Mas, o surfista da Costa Rica também surfa uma boa onda e recebe 7,33, abrindo 5,83 pontos de vantagem nos 5 minutos finais. Faltando 3 minutos, Marco escolhe uma direita que abre para fazer três manobras potentes de frontside e vai destruindo a onda até o inside. Os juízes repetem a nota 7,83 e Noe Mar McGonagle ainda pegou uma esquerda nos últimos segundos, mas sem potencial para conseguir a virada no placar, que acabou encerrado em 15,66 a 13,66 pontos.

“Essa bateria foi muito cansativa e eu estou exausto”, disse Marco Fernandez. “Não deu para relaxar nenhum minuto, pois a correnteza estava muito forte e tinha que ficar remando o tempo todo, mas estou feliz por ter conseguido achar duas ondas para vencer a bateria. Sei que agora vou enfrentar o Julian (Wilson) amanhã (domingo) e já estou ansioso para disputar uma bateria com ele, que é um dos meus surfistas favoritos. Eu só espero pegar boas ondas de novo para mostrar o meu surfe e fazer o que venho fazendo aqui até agora”.

Logo após a vitória de Marco Fernandez, Alex Ribeiro enfrentou o taitiano Mihimana Braye e começou bem a bateria, massacrando sua primeira onda para ganhar nota 8,17. Mas, seu adversário respondeu com um 7,00 e chegou a liderar quando conseguiu somar um 5,67. Isso até o brasileiro achar uma direita para mandar uma batida explosiva numa junção cavernosa que valeu 7,33. Com ela, Alex Ribeiro atingiu 15,50 pontos contra 12,67 de Mihimana Braye.

Mitch Crews (Foto: Tom Bennett - WSL)
Mitch Crews (Foto: Tom Bennett – WSL)

RECORDES DO DIA – Na disputa seguinte, o australiano Mitch Crews fez os recordes do dia com o mesmo ataque de duas manobras potentes de backside em duas esquerdas com muita energia que surfou contra o português Frederico Morais. Na primeira delas, recebeu nota 8,17 e na outra ganhou 9,40 para totalizar 17,57 pontos, superando os 17,43 de Julian Wilson na abertura das oitavas de final. Mitch Crews será o adversário de Alex Ribeiro na segunda quarta de final e o novo top do CT, Frederico Morais, terminou em nono lugar no Australian Open.

Quem também ultrapassou a barreira dos 17 pontos foi Hiroto Ohhara, no duelo com o brasileiro Luel Felipe. O japonês mostrou um surfe muito agressivo de backside nas esquerdas de Manly Beach, manobrando forte com velocidade para aumentar o recorde de nota no sábado para 9,83. Dois dos cinco juízes deram nota máxima para ele nessa onda. O pernambucano chegou a liderar a bateria quando completou as duas ondas computadas. Mas, a segunda do japonês valeu 7,50 para aplicar uma “combination” de 17,33 pontos no brasileiro. Campeão do US Open of Surfing em 2015, Hiroto Ohhara só esperou acabar a bateria e Luel Felipe se despediu do Australian Open em nono lugar.

Jessé Mendes entrou no duelo seguinte podendo tirar a liderança do WSL Qualifying Series de Yago Dora se passasse para as quartas de final. Seu adversário era o marroquino Ramzi Boukhiam, que teve um início melhor com nota 7,50, contra 5,67 do brasileiro. Depois, ambos surfaram algumas ondas fracas e Jessé pega uma esquerda mais limpa há 3 minutos do fim, que abre a parede para fazer três manobras. Ele precisava de 5,77 para vencer e os juízes deram nota 7,17 para fechar o placar em 12,84 a 11,43 pontos.

LIDERANÇA DO QS – Com a classificação para as quartas de final, Jessé Mendes assumiu o primeiro lugar no ranking e terá um confronto direto pela ponta com o francês Jorgann Couzinet, que derrotou o norte-americano Patrick Gudauskas no último duelo do dia. Para ultrapassar o brasileiro, o surfista da Ilha Reunião precisa chegar na final do Australian Open. O japonês Hiroto Ohhara também tem chance de sair de Sydney na frente, se vencer o campeonato.

Com os resultados do sábado atualizados no ranking, a lista provisória dos dez indicados pelo QS para completar a elite dos top-34 da World Surf League tem três brasileiros no momento, Jessé Mendes em primeiro lugar, Yago Dora em segundo e o também catarinense Alejo Muniz em oitavo. Alejo perdeu na primeira rodada do sábado, para o marroquino Ramzi Boukhiam e o norte-americano Patrick Gudauskas. Com isso, ele pode sair do G-10 no domingo.

Entre os que ameaçam sua vaga estão os outros dois brasileiros que passaram para as quartas de final. O paulista Alex Ribeiro, que fez parte da elite mundial no ano passado junto com Alejo Muniz, chegou em Sydney em 111.o lugar no ranking e agora aparece em 12.o, bem próximo da zona de classificação para o CT 2018. E o baiano Marco Fernandez já saltou de 364 para 18 e entra no G-10 se conseguir passar pelo grande favorito ao título do Australian Open, Julian Wilson.

MAIORIA BRASILEIRA – Os brasileiros começaram o sábado com oito surfistas entre os 24 que disputaram a primeira rodada do dia e a maioria foi mantida, com três avançando para disputar o título do QS 6000 de Sydney no domingo, contra dois australianos, um norte-americano, um francês e um japonês. Mas, os donos da casa ganharam as duas baterias com participação dupla do Brasil. Na primeira, Julian Wilson bateu Marco Fernandez e o paulista Marcos Correa foi eliminado. E Adam Melling derrotou Luel Felipe o capixaba Rafael Teixeira, que também terminou em 17.o lugar no Australian Open.

Na mesma posição, ficaram o paulista Deivid Silva e o catarinense Alejo Muniz. Deivid perdeu para Noe Mar McGonagle e o australiano Dion Atkinson na segunda bateria do dia. E na sétima, Alejo foi barrado pelo marroquino Ramzi Boukhiam e o californiano Patrick Gudauskas. Nesta primeira rodada, Alex Ribeiro conquistou a única vitória verde-amarela, contra o português Frederico Morais e o australiano Mikey Wright. Marco Fernandez passou em segundo com Julian Wilson e Jessé Mendes avançou atrás do francês Jorgann Couzinet.

Silvana Lima (Foto: Tom Bennett - WSL)
Silvana Lima (Foto: Tom Bennett – WSL)

QS 6000 FEMININO – Depois da quarta fase masculina, foram iniciadas as oitavas de final do QS 6000 Girls Make Your Move Women´s Pro e a única sul-americana a chegar no sábado foi eliminada na primeira bateria. O mar estava muito difícil para as meninas competirem e a brasileira Silvana Lima só conseguiu surfar uma onda boa, sendo derrotada pela australiana Philippa Anderson por um baixo placar de 9,44 a 9,17 pontos. Não fosse isso, todas as oito classificadas para as quartas de final seriam integrantes da atual elite do CT feminino.

Phillipa Anderson foi a única exceção e vai encarar a favorita ao título do QS 6000 de Sydney, a campeã mundial Tyler Wright. A segunda semifinalista sairá do duelo entre outra australiana, Sally Fitzgibbons, com a havaiana Malia Manuel. Na terceira bateria, a francesa Johanne Defay enfrenta a australiana Keely Andrew. E a havaiana Tatiana Weston-Webb, namorada do novo líder do QS, Jessé Mendes, fecha as quartas de final com a francesa Pauline Ado.

O QS 6000 Australian Open of Surfing e o QS 6000 Girls Make Your Move Women´s Pro estão sendo transmitidos ao vivo pelo www.worldsurfleague.com e as notícias destacando a participação sul-americana publicadas no www.wslsouthamerica.com