Três brasileiros estreiam com vitorias no Quiksilver Pro

By abrasp | 16 de março de 2017 | Notícias

Os campeões mundiais Adriano de Souza e Gabriel Medina e o potiguar Jadson André, estrearam com vitórias na Austrália e passaram direto para a terceira fase do Quiksilver Pro Gold Coast, nas boas ondas de 3-5 pés da quinta-feira em Snapper Rocks. Os outros seis integrantes da “seleção brasileira” perderam, mas terão uma segunda chance de classificação na primeira rodada eliminatória da etapa de abertura do World Surf League Championship Tour 2017. A única baixa foi a cearense Silvana Lima, na bateria que a norte-americana Lakey Peterson tirou a primeira nota 10 do ano e totalizou incríveis 19,27 pontos de 20 possíveis.

Jadson Andre (Foto: Ed Sloane - WSL)
Jadson Andre (Foto: Ed Sloane – WSL)

Foi a última participação do Brasil na longa quinta-feira de praia cheia em Snapper Rocks, para assistir a primeira apresentação dos melhores surfistas do mundo na temporada. O natalense Jadson André venceu a primeira bateria do ano, mas mão entraram muitas ondas boas e ele aproveitou as oportunidades que teve para manobrar forte de backside nas direitas de Snapper Rocks. Com batidas verticais mostrando o bico branco da sua prancha, sem um patrocinador principal, Jadson recebeu notas 5,93 e 5,53 em suas duas melhores ondas, que foram suficientes para superar o cabeça de chave Michel Bourez por 11,46 a 10,27 pontos. Além do taitiano, o potiguar bateu também o norte-americano Conner Coffin.

“Foi a minha primeira bateria do ano e vencer um cabeça de chave aqui em Snapper já me deixa mais confiante e, principalmente, porque o equipamento está bom também”, disse Jadson André. “Essa onda aqui de Snapper tem muita força, sempre com muito volume de água, então preferi pegar uma prancha um pouco maior e estou feliz por ter vencido a bateria. Comecei o ano com o pé direito e espero que seja uma boa temporada para os brasileiros e especialmente para mim, que eu consiga melhores resultados do que no ano passado”.

A única novidade na “seleção brasileira” do CT esse ano, estreou na bateria seguinte marcando a volta do sobrenome Gouveia e da Hang Loose a divisão de elite do surfe mundial. Fabio Gouveia foi um dos pioneiros do país a correr todo o circuito na década de 80 com o patrocínio da marca 100% nacional criada por Alfio Lagnado. Agora é o seu filho mais jovem, Ian Gouveia, que integra o seleto grupo dos melhores surfistas do mundo. Só que ele não conseguiu achar boas ondas na bateria dominada pelo defensor do título do Quiksilver Pro Gold Coast, Matt Wilkinson. O próximo desafio será contra outro australiano bem mais experiente no CT do que ele, Josh Kerr, na quinta eliminatória da segunda fase.

Gabriel Medina (Foto: Ed Sloane - WSL)
Gabriel Medina (Foto: Ed Sloane – WSL)

Depois da primeira derrota, teve Brasil em dose dupla na quarta bateria, com o campeão mundial Gabriel Medina mostrando a potência do seu backside com manobras explosivas abrindo grandes leques de água nas direitas de Snapper Rocks. A melhor apresentação foi na que ele pegou no último minuto, já dropando dentro de um tubo difícil, saiu limpo e foi atacando a onda com batidas potentes de backside jogando muita água pra cima em Snapper Rocks, para fechar a vitória por 16,50 pontos com nota 8,67.

TORÇÃO NO JOELHO – Medina fez as marcas a serem batidas no campeonato e também apresentou sua variedade de aéreos, mas não completou os mais difíceis que tentou. Na volta de um deles, acabou torcendo o joelho direito, antes de surfar sua melhor onda no minuto final. Ele saiu mancando do mar e já iniciou um tratamento intensivo para tentar continuar competindo na Gold Coast. O também paulista Wiggolly Dantas ficou em segundo lugar nessa primeira bateria do campeão mundial de 2014 e o havaiano Ezekiel Lau em último.

A equipe médica da World Surf League logo atendeu Gabriel Medina em sua chegada na arena do evento e, aparentemente, a torção não afetou os ligamentos do joelho e ele iniciou tratamento com gelo imediatamente. “Estou bem e vai dar para competir no próximo rounde sim”, garantiu Gabriel Medina, já no hotel onde está hospedado com seu pai e técnico, Charles Saldanha Rodrigues.

Adriano de Souza (Foto: Ed Sloane - WSL)
Adriano de Souza (Foto: Ed Sloane – WSL)

ÚLTIMA VITÓRIA – A terceira e última vitória verde-amarela na quinta-feira foi conquistada pelo também campeão mundial Adriano de Souza. O capitão da “seleção brasileira” entrou no mar depois de três derrotas seguidas e viu o australiano Bede Durbidge largar na frente numa onda bem surfada que valeu nota 8,17. Mineirinho demorou um pouco para surfar sua primeira onda boa e começou com um 7,0. Durbidge respondeu com 7,27 e o brasileiro ficou aguardando por uma onda com potencial para tirar nota alta.

Ela veio e o campeão mundial de 2015 sabia que teria que arriscar tudo, então saiu atacando a onda com velocidade, ela foi abrindo, ele continuou fazendo batidas e rasgadas com pressão até a beira, completando impressionantes quatorze manobras na onda. Os juízes deram a segunda maior nota do dia para ele e o 9,17 garantiu a terceira vitória brasileira por 16,17 pontos, contra 15,44 de Bede Durbidge e 11,33 do também australiano Josh Kerr.

“Eu consegui fazer uma boa bateria aqui no Quiksilver Pro, só que tem muita coisa pela frente ainda, foi só o começo”, disse Adriano de Souza. “Mas, por enquanto, quero agradecer muito a Deus, todos os meus anjos que estão sempre presentes comigo e continuo rezando bastante para que as boas energias cheguem ao meu redor. A positividade das pessoas torcendo por mim é fundamental também e obrigado a todos, principalmente a galera do Brasil”.   

Joel Parkinson (Foto: Kelly Cestari - WSL)
Joel Parkinson (Foto: Kelly Cestari – WSL)

MELHORES DO DIA – A maioria dos cabeças de chave confirmaram o favoritismo nas baterias. Depois de Jadson André derrubar um deles na abertura do Quiksilver Pro, o taitiano Michel Bourez, Matt Wilkinson ganhou a segunda bateria, Kolohe Andino a terceira, Gabriel Medina a quarta e na quinta outro brasileiro quase derrota mais um. Miguel Pupo surfou a melhor onda da bateria contra o vice-campeão mundial Jordy Smith, que valeu nota 8,10. Mas, o brasileiro acabou somando uma nota 3,67 e o sul-africano levou a melhor por 11,93 a 11,77 pontos com notas 6,43 e 5,50.

Já o novo campeão mundial John John Florence não deu qualquer chance para os dois australianos que enfrentou. O havaiano aumentou o maior placar do campeonato para 16,83 pontos, mas a maior nota continuava sendo a 8,67 da melhor onda de Gabriel Medina. Na disputa seguinte, estrearam mais dois campeões mundiais e Mick Fanning foi o segundo a vencer um cabeça de chave, Kelly Slater, por 13,27 pontos. O eneacampeão mundial depois se recuperou vencendo a segunda bateria da segunda fase, que fechou a quinta-feira na Austrália.

Em seguida, começou uma série de quatro baterias com participação brasileira e os australianos brilharam nas ondas de Snapper Rocks. Julian Wilson atingiu 16,80 pontos igualando a nota 8,67 de Gabriel Medina na bateria que Caio Ibelli ficou em último, assim como Italo Ferreira contra Joel Parkinson. O australiano aumentou o recorde de nota para 9,23 logo em sua primeira onda, mas ainda precisou surfar outra boa para superar o francês Joan Duru por uma pequena diferença de 16,85 a 16,40 pontos.

Frederico Morais (Foto: Ed Sloane - WSL)
Frederico Morais (Foto: Ed Sloane – WSL)

VITÓRIA PORTUGUESA – Em outra disputa muito acirrada, o português Frederico Morais se tornou o único novato na divisão de elite da World Surf League a estrear com vitória no Quiksilver Pro Gold Coast. Ele e o brasileiro Filipe Toledo, que mora na Califórnia, começaram com nota 6,33 e o português assumiu a dianteira manobrando forte numa boa direita que arranca 8,73 dos juízes, contra 7,60 da igualmente melhor onda de Filipe na bateria.

O brasileiro venceu o Quiksilver Pro Gold Coast em 2015 e chegou como favorito ao bicampeonato nas semifinais do ano passado, mas se contundiu na volta de um aéreo e o caminho ficou livre para Matt Wilkinson decidir o título. Filipe surfou outra onda de forma parecida com a sua melhor e recebe 7,50 para passar à frente do português. Porém, no último minuto, Frederico Morais acha uma boa direita para manobrar forte e conseguir a virada para 15,70 a 15,10 pontos, com o australiano Adrian Buchan ficando em último com 13,43.

ELIMINATÓRIAS – Dos nove integrantes da “seleção brasileira”, seis vão ter que encarar a primeira rodada eliminatória da temporada 2017 do World Surf League Championship Tour, que será encerrada com um duelo verde-amarelo entre Wiggolly Dantas e Miguel Pupo. Já o primeiro a competir será Filipe Toledo, que vai enfrentar o havaiano Ezekiel Lau no primeiro confronto da sexta-feira na Gold Coast, previsto para começar as 7h00 em Snapper Rocks, 18h00 da quinta-feira pelo fuso horário de Brasília.

Filipe Toledo (Foto: Ed Sloane - WSL)
Filipe Toledo (Foto: Ed Sloane – WSL)

Filipe está na terceira bateria, pois as duas primeiras fecharam a quinta-feira com o convidado da Quiksilver, Mikey Wright, despachando o cabeça de chave Michel Bourez e Kelly Slater derrotando o vencedor da triagem, Nat Young. Depois de Filipinho, a novidade da “seleção brasileira” esse ano, o pernambucano Ian Gouveia, tenta sua primeira vitória na elite do CT contra o australiano Josh Kerr na quinta bateria.

Na sétima, tem o potiguar Italo Ferreira contra o italiano Leonardo Fioravanti e o paulista Caio Ibelli entra na seguinte com outro novato da Europa classificado pelo WSL Qualifying Series no ano passado, o francês Joan Duru. Depois deles, acontece o confronto brasileiro entre Wiggolly Dantas e Miguel Pupo que garante a última vaga na terceira fase para o vencedor, só que um deles será eliminado em 25.o lugar no Quiksilver Pro Gold Coast.

SILVANA ELIMINADA – Depois da rodada de apresentação dos melhores surfistas do mundo no Quiksilver Pro, começaram as primeiras eliminatórias da temporada 2017 no Roxy Pro. A atual campeã mundial Tyler Wright se recuperou bem do tropeço na estreia, fazendo o maior placar da semana contra a convidada dessa etapa e também australiana Alyssa Lock, 17,50 pontos. Mas, sua marca foi batida no último confronto feminino do dia.

Silvana Lima (Foto: Ed Sloane - WSL)
Silvana Lima (Foto: Ed Sloane – WSL)

Justamente no da única brasileira na elite das top-17, a norte-americana Lakey Peterson deu um show nas boas ondas de Snapper Rocks. Ela arrancou a primeira nota 10 da temporada numa apresentação incrível e não deu qualquer chance para a cearense Silvana Lima. A californiana já havia surfado uma boa onda que valeu nota 9,27 e conquistou a última vaga para a terceira fase com o maior placar do ano na World Surf League, 19,27 pontos de 20 possíveis, contra 13,40 da brasileira, que ficou em 13.o lugar no Roxy Pro.

O Quiksilver Pro e o Roxy Pro podem ser assistidos direto da Austrália pelo www.worldsurfleague.com e pelo aplicativo da WSL e pela página da World Surf League no Facebook, com divulgação especial também pela TV Globo com transmissão ao vivo pelo www.sportv.globo.com e pelo canal ESPN Brasil também, além da Fox Sports na Austrália, SKY na Nova Zelândia, SFR Sports na França, SporTV em Portugal e EDGE Sports na China, Japão, Malásia e outros territórios asiáticos.