Yago Dora vence final brasileira no QS 6000 de Newcastle

By abrasp | 26 de fevereiro de 2017 | Notícias

Uma final verde-amarela fechou o primeiro campeonato importante da World Surf League na temporada 2017, com mais um jovem talento do surfe brasileiro brilhando no tradicional Surfest Newcastle da Austrália. Ninguém sobreviveu ao ataque aéreo do catarinense Yago Dora, 20 anos, no domingo em Merewether Beach. Na final contra o paulista Jessé Mendes, 24, ele foi aumentando a vantagem a cada voo, até arrancar nota 10 unânime dos juízes num aéreo incrível que garantiu a sua primeira vitória no Circuito Mundial. Com o título no QS 6000 Maitland and Port Stephens Toyota Pro, Yago Dora assumiu a liderança do WSL Qualifying Series e Jessé Mendes é o segundo colocado no ranking das nove etapas de 2017.

Yago Dora (Foto: Tom Bennett - WSL)
Yago Dora (Foto: Tom Bennett – WSL)

“Quero agradecer toda a galera que estava torcendo no Brasil pela transmissão ao vivo, aos brasileiros que estão aqui na praia também e essa final 100% brasileira foi animal”, disse Yago Dora, no pódio do Surfest Newcastle. “As ondas aqui estavam incríveis ontem e hoje (domingo) e foi muito legal fazer a final com o Jessé (Mendes), que é um grande amigo meu no ‘tour’ e tinha me estraçalhado na última vez que nos enfrentamos. Foi a minha primeira vitória e estou feliz por ter sido aqui na Austrália, num campeonato tão importante, com tanta história, e espero que tenha muitas ainda por vir”.

As condições do mar no domingo estavam muito favoráveis para Yago Dora mostrar o seu arsenal de aéreos de frontside nas esquerdas de Merewether Beach. Elas formavam rampas perfeitas para o catarinense voar nas ondas e aterrissar depois de giros completos no ar cada vez mais altos. Na final, completou um “reverse full rotation” sensacional, que ganhou nota 10 unânime dos cinco juízes e outros aéreos já tinham recebido notas 8,00, 8,27 e 8,83. Jessé Mendes não teve o que fazer e Yago Dora festejou sua primeira vitória no Circuito Mundial, logo num dos eventos mais tradicionais do esporte na Austrália, o Surfest Newcastle.

“Foi divertido competir contra meu amigo de infância na final”, disse Jessé Mendes. “Tivemos algumas boas baterias no passado, eu ganhei a última, então agora foi a vez dele. Estou feliz porque sinto que surfei bem durante todo o campeonato, mas na final o Yago (Dora) não me deu qualquer chance. Eu só quero continuar fazendo o que estou fazendo, pois sinto que esse evento foi positivo para mim e estou contente pelo resultado também”.

Jessé Mendes (Foto: Tom Bennett - WSL)
Jessé Mendes (Foto: Tom Bennett – WSL)

MAIORIA BRASILEIRA – Entre os oito surfistas que chegaram no domingo decisivo, metade era do Brasil. O catarinense Willian Cardoso perdeu o primeiro duelo das quartas de final para o norte-americano Ian Crane. Mas, Jessé Mendes despachou o francês Jorgann Couzinet no segundo e o terceiro foi 100% catarinense, entre Yago Dora e Alejo Muniz, campeão desta etapa de Newcastle em 2015. Nesta bateria, Yago completou seu primeiro grande aéreo do dia na onda que valeu nota 9,5, para vencer por 16,33 a 13,60 pontos.

Nas semifinais, Jessé Mendes usou sua variedade de manobras de borda e aéreas também para liquidar o norte-americano Ian Crane por 14,67 a 11,76 pontos. E Yago Dora teve mais trabalho no confronto com o australiano Mitch Coleborn, que é de uma escola diferente, mais baseada no “power surf”. Foi, talvez, a bateria mais difícil para o catarinense durante toda a semana em Merewether Beach, mas ele conseguiu uma nota 7,67 que fez a diferença no placar apertado de 12,94 a 12,27 pontos.

BRASIL NO RANKING – O resultado do QS 6000 Maitland and Port Stephens Toyota Pro praticamente formou o novo ranking do WSL Qualifying Series 2017. Ele agora é encabeçado pelos brasileiros Yago Dora e Jessé Mendes, que já tinham disputado as duas etapas realizadas no Havaí, em Sunset Beach e em Pipeline. Abaixo deles estão os semifinalistas em Newcastle, com o americano Ian Crane em terceiro lugar e o australiano Mitch Coleborn em quarto.

Outros dois brasileiros também passaram a figurar na lista dos dez surfistas que sobem para o grupo dos top-34 que disputa o título mundial da World Surf League, com os resultados conquistados no Surfest Newcastle. Os catarinenses Alejo Muniz e Willian Cardoso perderam nas quartas de final nesta primeira etapa que disputaram esse ano e dividem a nona posição no ranking com o italiano Leonardo Fioravanti, quinto colocado também no domingo.

Alejo Muniz (Foto: Tom Bennett - WSL)
Alejo Muniz (Foto: Tom Bennett – WSL)

CATARINENSES EM NEWCASTLE – A vitória inédita de Yago Dora na World Surf League não foi a primeira de um catarinense em Newcastle e a final brasileira com Jessé Mendes também não foi a primeira em Merewether Beach. Isso já havia acontecido em 2012, quando Willian Cardoso derrotou a hoje estrela do CT, Filipe Toledo. Depois, outro catarinense, Alejo Muniz, fez duas finais no Surfest Newcastle. Perdeu a decisão com Joel Parkinson em 2013, mas foi campeão na final com o também australiano Jack Freestone em 2015.

Já a primeira vitória catarinense em Newcastle, desde o ano 2000, foi conquistada por Neco Padaratz, em mais uma decisão Brasil x Austrália em 2006, contra Jarrad Howse. Antes dele, quando as baterias finais eram compostas por quatro surfistas, três brasileiros chegaram na decisão de 2002, mas não conseguiram impedir a vitória do australiano Mick Fanning. O baiano Armando Daltro ficou em segundo lugar, o cabo-friense Victor Ribas em terceiro e o pernambucano Paulo Moura em quarto. E em 2004, o alagoano Tânio Barreto terminou em quarto lugar na vitória do fenômeno Kelly Slater.

FRANCESA CAMPEÃ – No igualmente primeiro QS 6000 do ano no WSL Qualifying Series feminino, a francesa Johanne Defay ganhou a decisão do título do Anditi Women´s Pro com a neozelandesa Paige Hareb e também assumiu a ponta no ranking com a vitória em sua primeira competição na temporada 2017. Johanne barrou nas semifinais a sensação do campeonato que defendia a liderança do QS em Newcastle, Macy Callaghan. A jovem australiana, que foi campeã mundial Pro Junior da WSL esse ano, ainda foi ultrapassada pela vice-campeã Paige Hareb e caiu para o terceiro lugar na lista das seis que sobem para o CT.

Johanne Defay (Foto: Tom Bennett - WSL)
Johanne Defay (Foto: Tom Bennett – WSL)

“Estou muito feliz, porque eu nunca tinha vencido uma etapa do QS antes, então começar a temporada com vitória é incrível”, disse Johanne Defay. “As ondas estavam um pouco complicadas hoje (domingo), então eu tinha que escolher bem as melhores que entravam. Eu tive alguns problemas para me requalificar para o CT no passado, então posso relaxar um pouco com este resultado. Eu gosto muito de surfar aqui em Newcastle e agora esse lugar passa a ser ainda mais especial para mim”.

PRÓXIMO QS 6000 – O primeiro QS 6000 masculino e feminino do ano terminou no domingo e na segunda-feira já começa o segundo também na Austrália, o prestigiado Australian Open of Surfing nas ondas de Manly Beach, em Sydney. O agora novo líder do ranking, Yago Dora, o vice-líder Jessé Mendes e os nonos colocados, Alejo Muniz e Willian Cardoso, vão defender suas vagas na lista dos dez indicados pelo WSL Qualifying Series para a elite dos top-34 da World Surf League nesta semana em Sydney. E esta etapa também já teve vitória brasileira, como a do hoje campeão mundial Adriano de Souza na final de 2014 contra o australiano Julian Wilson.

Mais informações, notícias, fotos e vídeos do QS 6000 Maitland and Port Stephens Toyota Pro e do QS 6000 Anditi Women´s Pro podem ser acessadas no www.worldsurfleague.com e as notícias da participação sul-americana no Surfest Newcastle no www.wslsouthamerica.com